sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

A revolta silenciosa causada pela opressão do sistema

Vivemos em um sistema de opressão que nos subjulga desde a infância. De uns tempos pra cá, surgiram as creches que ampliaram ainda mais os tentáculos da Matrix. Tudo é tão bem montado que nunca questionamos se existe possibilidade de mudança e muito menos enxergamos o roubo de nosso tempo de vida.


A escola tomava quatro horas do nosso tempo com a promessa de fornecer conhecimento útil para entrar no mercado de trabalho. O detalhe é que tudo o que era transmitido poderia ser ensinado em um período bem menor de nossas vidas, pois a luta dos professores pela disciplina na sala de aula sempre comprometeu uma boa parcela do tempo. Assim, o sistema calculou que a solução para a melhoria desse cenário seria aumentar mais um ano no Ensino Fundamental. Algum tempo depois, ele percebeu que ainda não era o suficiente, pois os alunos estavam saindo cada vez mais mal preparados. Então, tiveram a ideia de adicionar mais um ano ao Ensino Médio! Coitado dos alunos atuais!  Serão aprisionados por mais dois anos de vida que jamais irão voltar!


No momento em que essas coisas estão acontecendo não conseguimos questionar nada, pois estamos sendo obrigados e não temos alternativa nenhuma para nos libertar. Então, o jeito é aguentar. Porém, a semente da revolta está plantada e ela nunca sairá de nossa alma. Sentimos que há algo errado, mas não sabemos o que é. Nossa alma sabe que estão nos massacrando, mas não há como combater o nosso inimigo, pois tudo é para o nosso bem.


Saímos da escola e entramos no mercado de trabalho que também tem sua estratégia de opressão. Só que agora vendemos o nosso tempo em troca de um salário. São oito horas diárias que devem ser rigorosamente cumpridas mesmo que não haja mais o que fazer na empresa. Parece óbvio que é o tempo que estamos vendendo, mas no momento em que estamos lá, só enxergamos a necessidade do nosso sustento.


Agora, entraremos em mais uma opressão: o casamento. O homem sempre sai perdendo, pois a mulher é protegida da justiça e ainda tem o privilégio de ser sustentada em troca das obrigações conjugais. Devido ao romantismo apregoado pela mídia e pelos que nos rodeiam, não vemos a verdade sobre isso e seguimos oprimidos. O dia todo no trabalho e à noite dormir cedo para retornar à empresa no dia seguinte. A semente da revolta segue sendo alimentada. Sentimos raiva, mas não sabemos porque. O que está errado conosco? De onde vem essa raiva? Estamos trabalhando, temos família...Aparentemente não há razão para revolta, mas a raiva persiste.


O  perigo dessa revolta reside em seu resultado que pode variar de problemas mentais à suicídio. Se pararmos para pensar na opressão que sofremos, poderemos, inclusive, jogar tudo pro alto para nos transformarmos em moradores de rua. Esse tipo de sentimento pode nos levar a tudo, inclusive à atividades ilegais.


O problema é que para a maioria está tudo bem. Ninguém questiona a estrutura opressora. Negociam-se salários, mas sobre tempo ninguém nunca fala nada. Falam em proteger moradores de rua, combater a criminalidade, mas ninguém fala da insatisfação no trabalho, de problemas familiares... Só enxergam quando as pessoas já estão marginalizadas e transformadas em pedintes ou criminosos. Por que nunca falam na origem dessas pessoas? Por que nunca explicam como é que elas chegaram a essa situação?


Muita gente está insatisfeita. Alguns abandonam o emprego, outros tiram a própria vida e por aí vai. Algo sempre esteve errado e isso está se tornando uma bola de neve tão grande que um dia poderá varrer tudo pela frente. A raiva nunca para de ser alimentada. Os opressores aparentam ter prazer em maltratar sem saber como fica o íntimo do oprimido diante de cada humilhação, de cada hora de vida roubada. 


Mas uma hora, o resultado da opressão aparece. Em algum momento a conta chega. Nessas horas muitos se perguntam o porquê daquilo ter acontecido, porque uma pessoa aparentemene tão calma fez o que fez. Porém, ninguém avalia a quantidade de sofrimentos, humilhações, mal tratos, xingamentos e outras coisas ruins que ela sofreu. 

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